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Entenda as novas regras do Boleto Bancário

A Nova Plataforma da Cobrança é um sistema idealizado pelo setor bancário via Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e validado pelo Banco Central para pôr fim ao uso de boleto bancário sem registro também chamado de boleto simples.

A medida tem como objetivo modernizar e dar mais segurança aos processos envolvendo esse meio de pagamento criado em 1993, e que, até pouco tempo atrás, não havia sofrido grandes atualizações.

Para te deixar por dentro das mudanças, neste artigo vamos esclarecer:

  1. O que é boleto sem registro (simples) e boleto registrado?
  2. O que muda com a implementação da Nova Plataforma de Cobrança?
  3. Quando acontecerá o fim do boleto sem registro (simples)?
  4. O que acontece com um boleto bancário simples emitido antes das mudanças?
  5. Quais as principais mudanças para empresas emissoras?
  6. O que muda na relação entre emissor e cliente final?

1. O que é boleto sem registro (simples) e boleto registrado?

O boleto sem registro – também chamado de boleto simples – não exige documentação no sistema de nenhum banco e não tem obrigatoriedade de informações como: valor, data de vencimento, ou dados do pagador, sendo mais propenso a fraudes. Esta modalidade, representava, até 2016, cerca de 40% dos boletos emitidos no país.

As mudanças para pôr fim a essa prática começaram ainda em 2017 e já estão na reta final. Assim, a partir de 10 novembro de 2018, quando o cronograma da Nova Plataforma da Cobrança tem previsão de ser concluído, todos os cerca de 4 bilhões de boletos que circulam no país, deverão ser obrigatoriamente registrados.

Isso significa que todos os boletos devem ser homologados em uma instituição bancária contendo o CPF ou CNPJ do beneficiário e do pagador, endereço, valor da cobrança, data de vencimento e informações sobre possíveis encargos.

Veja o que muda com os boletos registrados:

antes e depois da obrigatoriedade do registro de boleto bancário

2. O que muda com a implementação da Nova Plataforma de Cobrança?

A Nova Plataforma de Cobrança foi instituída para trazer aos emissores e clientes finais os seguintes benefícios majoritários:

  • mais comodidade no pagamento;
  • maior controle das emissões de boleto;
  • segurança e inteligência (dados) para os bancos.

No entanto, alguns empresários e comerciantes veem algumas dificuldades, como, por exemplo, o pagamento da taxa na emissão do boleto, ao invés de quando da liquidação do mesmo. Ou seja, mesmo que o pagador não quite o boleto, o emissor terá esse custo. E, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, repassar esse valor é ilegal.

Confira um comparativo simples de PRÓS e CONTRAS do boleto simples e do boleto registrado:

pros e contras do boleto bancário sem registro e do boleto registrado

3. Quando acontecerá o fim do boleto sem registro (boleto simples)?

A Febraban adotou um período de convivência entre os boletos simples e registrados para que o processo de atualização fosse gradual e sem maiores transtornos. Desta forma, à medida que os valores são integrados ao cronograma, o registro passa ser obrigatório.

A FEBRABAN espera finalizar este processo no dia 10 de Novembro de 2018, conforme a tabela abaixo:

NOVA PLATAFORMA DE COBRANÇA
A PARTIR DE VALOR DO BOLETO
10/07/2017 R$50.000 ou mais
11/09/2017 R$2.000,00 ou mais
24/03/2018 R$800,00 ou mais
25/08/2018 R$400,00 ou mais
13/10/2018 R$100,00 ou mais
27/10/2018 Todos os valores
10/11/2018 Conclusão do processo (incluindo boletos de cartão de crédito, doações e outros)

4. O que acontece com um boleto bancário sem registro emitido antes das mudanças?

Como as atualizações estão sendo feitas em etapas, pode acontecer de algum boleto emitido antes da reforma ainda estar em aberto.

Nesse caso, o documento original continuará válido. Já o emissor (empresa beneficiária) precisará comunicar e registrar o boleto na Instituição Beneficiária, adequando assim à cobrança ao novo processo.


Agora que entendemos o que a mudança exige e como ela será feita, vamos conhecer as principais implicações da Nova Plataforma de Cobrança na rotina de empresas e clientes.

5. Quais as principais mudanças para empresas emissoras?

As mudanças na regra serão relevantes para as empresas que emitem boleto bancário em três aspectos:

5.1 Porque boletos registrados tem mais tarifas?

O boleto bancário sem registro é (era) tarifado apenas na liquidação (pagamento recebido). Em outras palavras, pagava-se apenas uma tarifa por boleto e somente se ele realmente fosse pago.

Agora todo boleto será tarifado pelo menos uma vez. Essa tarifa ‘obrigatória’ é cobrada, geralmente, na emissão ou liquidação/cancelamento. Então, caso haja alguma alteração, também há cobrança. Em casos que o boleto está vencido há muito tempo (60~90 dias), uma outra tarifa é cobrada mensalmente para mantê-lo ativo.

Os momentos mais comuns de cobrança de tarifa são:

  • Emissão (geralmente a tarifa não é cobrada aqui, mas pode acontecer);
  • Liquidação do boleto;
  • Cancelamento;
  • Alteração;
  • Manutenção (atualização) de boleto vencido (a cada 30 dias após o vencimento);
  • Expiração – após 60~90 dias de vencido, o boleto é automaticamente cancelado e são cobradas duas tarifas: cancelamento e expiração.

Na prática, por padrão, cada boleto paga pelo menos uma tarifa, que acontece na baixa (liquidação ou cancelamento). A depender do que aconteceu na vida do boleto, podem ser cobradas várias outras tarifas, que são as listadas acima.

É importante levar em consideração que, apesar dessa ser a regra padrão, isso pode variar de banco para banco. Por isso, recomendamos também buscar informações junto às instituições financeiras caso você não utilize nenhum intermediário para a emissão dos seus boletos.

5.2 Emitir boleto registrado é mais trabalhoso?

Devido a obrigatoriedade do registro dos boletos, todos as empresas emissoras precisarão cumprir as seguintes exigências:

  1. Todo boleto emitido precisa, necessariamente, ter os dados completos do beneficiário (empresa emissora) e pagador (cliente).
  2. Caso o boleto seja emitido por um sistema próprio ou contratado (que não o do banco), também é obrigatório o envio da remessa.
  3. Sempre que um boleto for alterado ou cancelado, é necessário que o banco seja informado. Isso é feito via remessa, com instruções atualizadas, ou através da interface do internet banking.
  4. Definição de multa, juros e desconto torna-se necessária já na primeira emissão do boleto, de forma que o banco tenha essa informação também registrada na plataforma de cobrança.

Como você pode ver, esta nova organização requer um pouco mais de trabalho no momento de emissão de um boleto. Contudo, essas exigências trazem mais segurança para a gestão dos boletos bancários.

5.3 Mais controle sobre os boletos bancários!

Um boleto bancário sem registro só ‘existe’ para o banco quando ele é liquidado (quitado) e mesmo nesse momento ainda pode haver pouquíssimas informações sobre a cobrança e cliente pagador. Então, quando um boleto é registrado, o banco tem dados detalhados de todas as informações relacionadas ao boleto, empresa emissora e cliente pagador.

Por isso, a obrigatoriedade do registro faz com que haja mais controle sobre os boletos emitidos. Tudo isso vem à custo de um trabalho extra para registrar os boletos e mantê-los atualizados.

saiba como emitir boleto bancario com a fatura simples

6. O que muda na relação entre emissor e cliente final?

Com a emissão de boletos registrados já em execução, as principais mudanças para a empresa emissora e cliente pagador são:

6.1 Pagamento em qualquer banco e fim da 2ª via atualizada

O propósito da implantação da nova plataforma de cobrança é centralizar toda gestão dos boletos.

Para as empresas emissoras, a principal vantagem é que após o registro inicial do boleto bancário, a própria plataforma de cobrança se encarrega de disponibilizar o boleto atualizado para os clientes independente do banco emissor e recebedor.

Isso significa o fim da 2ª via atualizada do boleto.  Como explicamos anteriormente, a definição de juros e multa virá já na primeira emissão do boleto bancário.

No caso dos clientes pagadores, o benefício mais notável é a facilidade para pagar boletos vencidos, já que esses poderão ser pagos em qualquer banco. Mesmo com atraso, os valores são atualizados automaticamente de acordo com as definições iniciais de multa, juros e descontos.

Essas mudanças são bastante benéficas para empresas que precisam lidar constantemente com a inadimplência, visto que os boletos não mais precisarão ser atualizados para que os clientes consigam pagá-los facilmente.

6.2 Mais segurança  na emissão e no pagamento do boleto!

A obrigatoriedade do boleto bancário com registro proporciona uma série de dados e informações para os bancos que conseguem garantir mais segurança em toda a vida do boleto.

Com o vínculo do CPF ou CNPJ ao boleto, tanto do emissor quanto do pagador, surge um controle relacional importante. Isso evita pagamentos duplicados e cobranças fraudulentas.

6.3 Bancos mais inteligentes

Ter todas as informações sobre emissões e pagamentos proporcionam o desenvolvimento de uma inteligência sobre os clientes por parte do bancos. Então, isso permite que novos serviços e produtos sejam oferecidos em momentos e condições adequadas, melhorando a relação banco-empresa.

Um exemplo claro disso é que o banco ganha mais segurança sobre a previsibilidade do faturamento de seus clientes. Portanto, podem avaliar quando oferecer crédito em condições de baixo custo e risco. Para os empresários, isso significa melhores condições para levantar capital e investir no crescimento do negócio.


As mudanças consequentes da Nova Plataforma da Cobrança também impactam sistemas emissores de boleto bancário. Por isso, é importante que você verifique se o sistema que usa emite boletos seguindo as novas regras. Assim, você evita problemas com o seu banco emissor e garante o recebimento dos boletos pagos. Contudo, se sua empresa emite boletos diretamente pelo internet banking, não precisa se preocupar com isso.

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Para acessar a cartilha completa da Febraban sobre a Nova Plataforma da Cobrança, basta acessar este link.